quarta-feira, 20 de abril de 2011

Organização dos espaços escolares aliado a uma proposta significativa de educação

Uma proposta significativa de educação deve possibilitar ao aluno concretizar / apreender os conteúdos propostos de modo a manipular o conhecimento construído não só a seu favor, mas em favor do coletivo, no decorrer da sua vida tornando-se um cidadão participativo, crítico, reflexivo e politizado.  

Para que essa proposta possa atingir seu objetivo, uma série de premissas devem ser observadas: a formação contínua do professor com um olhar mais horizontal e humanizado, propostas de avaliação mais democráticas e baseadas no aprendizado real dos alunos de forma continuada e sistemática, participação ativa e efetiva dos pais e da comunidade na construção do currículo e gestão participativa no dia-a-dia da escola, um espaço físico apropriado e adequado a atender as necessidades de todos os alunos, entre outras.

Tomemos o espaço escolar como um ponto de partida para esta reflexão. Como este espaço deveria estar organizado? Qual a sua importância na aprendizagem significativa dos alunos? Como este espaço pode contribuir para promover as relações interpessoais e favorecer a aprendizagem?

O espaço escolar deve estar organizado de modo a proporcionar ao educando uma sensação de conforto e bem estar, um lugar onde possa socializar, brincar, aprender a ser, viver, conviver e respeitar as diversidades culturais . E como seria nossa sala de aula? Ela teria mobiliário adaptado para crianças com necessidades especiais e, flexível o suficiente para diversas maneiras e propostas de uso. Nossa escola teria salas temáticas onde os alunos possam, efetivamente, sedimentar e vivenciar o conhecimento. Essa escola não tem escadas, tem rampas. Ela tem área verde e espaço para que os alunos sejam crianças, favorecendo o desenvolvimento motor. Ela possibilita ampliação de repertório e as relações humanas. É um local onde todos aprendem com todos, sem um relacionamento vertical.

Contudo, infelizmente, a realidade nas nossas escolas, tanto públicas como particulares, deixam a desejar. Nem todos os nossos espaços escolares proporcionam situações de aprendizagem plenamente significativas. As salas de aulas ainda estão organizadas de forma tradicional, em fileiras, com o professor sendo o centro das atenções e único detentor do conhecimento. Em muitos lugares, as aulas ainda acontecem com giz, lousa, apostila e livros mal revisados. Os alunos são, muitas vezes, submetidos a um tratamento militarizado, como se fossem todos iguais e não seres únicos, cada um com suas peculiaridades, seus sonhos e anseios, sua história. A escola mais se parece como uma prisão, onde os alunos nada podem, a não ser observar uma rotina rígida. Não é por acaso, que tanto professores quanto alunos, ao irem embora, saem com uma sensação de alívio: finalmente eu saí de lá.

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