quarta-feira, 1 de junho de 2011

Ciclos e Progressão Escolar no Brasil: um longo caminho a percorrer

A fala do Professor João Cardoso Palma Filho (secretário adjunto da Secretaria de Ed. do Estado de São Paulo) começa com uma questão inquietante: ”o que fazer para ter uma educação de qualidade?” Ao longo de sua participação diversas propostas foram discutidas e colocadas como possíveis soluções para equacionar um problema de fundamental importância se quisermos que nossas crianças e jovens passem da condição de “pessoas diferenciadas” à semelhança com os “alunos europeus”, conforme citou o Prof. Dr. José Luis Feijó Nunes (Supervisor de Ensino da Prefeitura Municipal de São Paulo).

Progressão continuada, promoção automática, ciclos, seriação, formação continuada, valorização docente, remuneração digna etc.

Todas essas questões são pontuais, logo, dispensam o discurso retórico de quem sabe o que fazer, mas permanece inerte. As soluções apresentadas contemplam o desejo da classe docente, todavia, precisam sair do papel e passar a integrar a lista de prioridades para chegarmos, efetivamente, a uma verdadeira educação pública de qualidade.

Como disse o Prof. João Cardoso, “precisamos percorrer um longo caminho para chegarmos ao desejado”, então, a hora é agora.

O artigo da Profª. Dra. Elba Siqueira de S. Barreto tem como objetivo fazer uma revisão de estudos já publicados sobre ciclos e progressão escolar. Com o objetivo de resolver a questão da evasão escolar, assegurando um lugar para que todos os alunos possam cumprir os anos de estudo obrigatório, os ciclos foram implementados em várias cidades brasileiras.

Embora a sociedade em que vivemos tem passado por diversas transformações, a justificativa para a adoção dos ciclos continua a mesma, ou seja, ela já não mais contempla as necessidades e urgências de uma sociedade dinâmica e em constante movimento. Além disso, essa justificativa também não assegura a sua sustentabilidade nem oferece condições para que sejam implementadas de modo satisfatório.

O que se percebe, é que o discurso continua o mesmo, as condições de trabalho para os docentes e de estudo para os discentes também parecem não terem mudado. Muitas vezes, as experiências têm sido interrompidas abruptamente. Percebe-se que para o sucesso e consolidação do ciclo dentro de uma escola democrática com um projeto político pedagógico, ainda será necessário percorrer um longo caminho.

Cabe aqui uma pergunta: será que esse caminho não tem fim?



quarta-feira, 18 de maio de 2011

Espaços educativos e a parceria da educação formal e não-formal

Segundo Paulo Freire, a educação está além da escolarização, da escala de tempo. Educação se faz através do diálogo, da parceria, do respeito pela história que cada um traz para dentro da sala de aula, da troca, da humanização das relações. Ela só pode acontecer se houver curiosidade por parte dos educandos, que poderá ser intrínseca ou despertada pelo educador. Como educadores, temos que desestimular o individualismo que gera a violência, mostrando ao grupo a necessidade de pensarmos no coletivo.

E como desenvolver uma educabilidade na escola atual? Através da articulação da educação formal e da ação pedagógica das ONGS, orientada por programas educativos e socioculturais. Os espaços escolares ociosos podem servir como infra-estrutura para atividades desenvolvidas pelos voluntários pautadas pela ação pedagógica da escola. Em tal parceria, é necessário um apoio irrestrito e total dos gestores administrativos e participação em massa do corpo docente e da comunidade. Isso se faz necessário, para fortalecer as relações entre os pais e a escola.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Organização dos espaços escolares aliado a uma proposta significativa de educação

Uma proposta significativa de educação deve possibilitar ao aluno concretizar / apreender os conteúdos propostos de modo a manipular o conhecimento construído não só a seu favor, mas em favor do coletivo, no decorrer da sua vida tornando-se um cidadão participativo, crítico, reflexivo e politizado.  

Para que essa proposta possa atingir seu objetivo, uma série de premissas devem ser observadas: a formação contínua do professor com um olhar mais horizontal e humanizado, propostas de avaliação mais democráticas e baseadas no aprendizado real dos alunos de forma continuada e sistemática, participação ativa e efetiva dos pais e da comunidade na construção do currículo e gestão participativa no dia-a-dia da escola, um espaço físico apropriado e adequado a atender as necessidades de todos os alunos, entre outras.

Tomemos o espaço escolar como um ponto de partida para esta reflexão. Como este espaço deveria estar organizado? Qual a sua importância na aprendizagem significativa dos alunos? Como este espaço pode contribuir para promover as relações interpessoais e favorecer a aprendizagem?

O espaço escolar deve estar organizado de modo a proporcionar ao educando uma sensação de conforto e bem estar, um lugar onde possa socializar, brincar, aprender a ser, viver, conviver e respeitar as diversidades culturais . E como seria nossa sala de aula? Ela teria mobiliário adaptado para crianças com necessidades especiais e, flexível o suficiente para diversas maneiras e propostas de uso. Nossa escola teria salas temáticas onde os alunos possam, efetivamente, sedimentar e vivenciar o conhecimento. Essa escola não tem escadas, tem rampas. Ela tem área verde e espaço para que os alunos sejam crianças, favorecendo o desenvolvimento motor. Ela possibilita ampliação de repertório e as relações humanas. É um local onde todos aprendem com todos, sem um relacionamento vertical.

Contudo, infelizmente, a realidade nas nossas escolas, tanto públicas como particulares, deixam a desejar. Nem todos os nossos espaços escolares proporcionam situações de aprendizagem plenamente significativas. As salas de aulas ainda estão organizadas de forma tradicional, em fileiras, com o professor sendo o centro das atenções e único detentor do conhecimento. Em muitos lugares, as aulas ainda acontecem com giz, lousa, apostila e livros mal revisados. Os alunos são, muitas vezes, submetidos a um tratamento militarizado, como se fossem todos iguais e não seres únicos, cada um com suas peculiaridades, seus sonhos e anseios, sua história. A escola mais se parece como uma prisão, onde os alunos nada podem, a não ser observar uma rotina rígida. Não é por acaso, que tanto professores quanto alunos, ao irem embora, saem com uma sensação de alívio: finalmente eu saí de lá.