A fala do Professor João Cardoso Palma Filho (secretário adjunto da Secretaria de Ed. do Estado de São Paulo) começa com uma questão inquietante: ”o que fazer para ter uma educação de qualidade?” Ao longo de sua participação diversas propostas foram discutidas e colocadas como possíveis soluções para equacionar um problema de fundamental importância se quisermos que nossas crianças e jovens passem da condição de “pessoas diferenciadas” à semelhança com os “alunos europeus”, conforme citou o Prof. Dr. José Luis Feijó Nunes (Supervisor de Ensino da Prefeitura Municipal de São Paulo).
Progressão continuada, promoção automática, ciclos, seriação, formação continuada, valorização docente, remuneração digna etc.
Todas essas questões são pontuais, logo, dispensam o discurso retórico de quem sabe o que fazer, mas permanece inerte. As soluções apresentadas contemplam o desejo da classe docente, todavia, precisam sair do papel e passar a integrar a lista de prioridades para chegarmos, efetivamente, a uma verdadeira educação pública de qualidade.
Como disse o Prof. João Cardoso, “precisamos percorrer um longo caminho para chegarmos ao desejado”, então, a hora é agora.
O artigo da Profª. Dra. Elba Siqueira de S. Barreto tem como objetivo fazer uma revisão de estudos já publicados sobre ciclos e progressão escolar. Com o objetivo de resolver a questão da evasão escolar, assegurando um lugar para que todos os alunos possam cumprir os anos de estudo obrigatório, os ciclos foram implementados em várias cidades brasileiras.
Embora a sociedade em que vivemos tem passado por diversas transformações, a justificativa para a adoção dos ciclos continua a mesma, ou seja, ela já não mais contempla as necessidades e urgências de uma sociedade dinâmica e em constante movimento. Além disso, essa justificativa também não assegura a sua sustentabilidade nem oferece condições para que sejam implementadas de modo satisfatório.
O que se percebe, é que o discurso continua o mesmo, as condições de trabalho para os docentes e de estudo para os discentes também parecem não terem mudado. Muitas vezes, as experiências têm sido interrompidas abruptamente. Percebe-se que para o sucesso e consolidação do ciclo dentro de uma escola democrática com um projeto político pedagógico, ainda será necessário percorrer um longo caminho.
Cabe aqui uma pergunta: será que esse caminho não tem fim?